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- o site oficial da Federação Portuguesa de Surf
Entrevistado pelo site Surfline.com, conversa que o SurfingPortugal.com aqui reproduz parcialmente, Fernando Aguerre, presidente da ISA – International Surfing Association, fala-nos do Surf, modalidade que tem vindo a ganhar cada vez mais expressão no quotidiano de muita gente por esse mundo fora, e que, pretende Aguerre, venha a fazer parte do currículo olímpico até 2020.
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"Daquilo que pudemos ver, os Billabong ISA World Surfing Games foram um enorme sucesso. Qual é a sua visão do decorrer da prova e qual foi a reacção do país anfitrião?
Sempre que a ISA vai a um novo país, que nunca recebeu um evento desta escala, existem coisas que precisam de ser ensinadas e outras que precisam de ser aprendidas. Mas é isso que fazemos na ISA. Não somos apenas promotores de eventos, somos organizadores de eventos, e principalmente detentores de direitos [das provas da ISA]. Essa é a razão pela qual escolhemos países, onde os apoios destinados ao Surf não são suficientes para realizar um evento da ISA, e, dessa forma, conseguimos desenvolver o desporto nessa região. Isso tem um impacto muito forte na sociedade e na cultura de praia desse país. 35 nações de todo o mundo, países ricos, países pobres, pessoas de todas as etnias, do Norte, do Sul, de países próximos ou distantes – todos eles têm a mesma paixão. Podem até não falar as mesmas línguas, na maior parte das vezes é isso que acontece, mas o espírito e a paixão pelo desporto são os mesmos, muito intensos.
Para mim, a ISA não é apenas uma competição de Surf. É também um encontro social. É uma troca cultural. É conhecer pessoas novas, é a derradeira rede social do Surf. Costumo dizer que é as “Nações Unidas do Surf”. É uma troca de experiências de vida, para os locais e para quem vem de fora, ver o que acontece. Sempre que vamos a um novo país é assim que as coisas acontecem, e a Costa Rica [onde decorreu o Billabong ISA World Surfing Games] não foi excepção.”
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“O que pensa que a ISA pode fazer para encorajar os países a seleccionar os seus melhores atletas? Qual é a mais-valia, isto é, porquê é que os surfistas devem ir?
Na maior parte das vezes, os surfistas de topo não querem participar porque não há prize money, certo? Eles precisam de fazer dinheiro, o que é razoável e muito aceitável. Os atletas têm três, quatro anos das suas vidas para fazer bom dinheiro, se forem bons surfistas, e depois acabou. Por isso, existe esse conflito. É um conflito de interesses para o surfista, e se o seu patrocinador não lhe pergunta se quer participar, ele vai logicamente concluir que não há nenhum valor em ser membro da equipa dos EUA. Quero dizer com isto que um surfista não é diferente de nenhum outro trabalhador. A mais-valia para o surfista patrocinado – a razão pela qual deve participar – advém das marcas dizerem que se importam; que querem ver os seus atletas com uma medalha de ouro da ISA.
Agora, quem comunica os objectivos das marcas aos atletas? Não é o Bob McKnight, nem o Paul Naude, ou nenhuma dessas pessoas. É o manager da equipa. Portanto, se o manager da equipa não consegue criar um espírito de selecção nacional, talvez porque nunca surfou pela equipa de bandeira, os atletas não participam. E a atitude é: “who gives a f*#&”? É suposto que o manager da equipa consiga tantos atletas da equipa da marca quantos possível, e a competir ao mais alto nível, que é a WCT. Mas há na Surfline uma entrevista em vídeo e uma peça escrita pelo Ian Cairns, nas quais ele claramente refere a mais-valia para ambos, marcas e atletas. Cairns afirma que existem duas plataformas competitivas principais no Surf, o CT e a ISA. Existem eventos de equipa e eventos individuais. Se queres ser um surfista completo, tens de ser bom nos dois tipos de eventos. A Sofia Mulanovich [jovem surfista peruana] venceu os ISA World Surfing Games em 2004, e, depois, nesse mesmo ano, ganhou o título mundial da ASP. Em declarações públicas, a atleta disse que o facto de ter ganho os ISA World Surfing Games lhe tinha dado muita auto-confiança, que sentia ser capaz de derrotar qualquer um e tornar-se campeã mundial. Para ela, o espírito da ISA tem muito crédito; o facto de ser carregada em ombros pela praia, as bandeiras, e toda a camaradagem, dão-lhe um nível de confiança que não tinha quando competia sozinha.”
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“Quando e onde serão levados a cabo os próximos Billabong ISA Games?
Na segunda metade do próximos ano, e é no meio de uns quantos países. Tanto poderá ser no Peru, no Panamá ou no Equador. Será com certeza na América Latina. E a razão pela qual os jogos vão realizar-se na América Latina é porque existem 500 milhões de pessoas no Sul dos EUA, a maior percentagem de população jovem no mundo. Por isso é um número considerável de gente jovem. Dos 42 países do continente americano, 40 estão situados na costa. A maior parte deles tem ondas, e um clima temperado. O paraíso do Surf. Imagine as dezenas de milhares de milhas que estão repletas de ondas e de spots de surf. É incrível. Por isso, gostaríamos de ajudar no desenvolvimento das comunidades de Surf desses países.
Durante mais quanto tempo irá assumir a presidência da ISA, e tem em mente um mandato para futuros presidentes, se e quando for embora?
Temos eleições a cada quatro anos. Renovamos metade do Comité Executivo a cada dois. Temos quatro vice-presidentes e um presidente. As próximas eleições serão para as posições de presidente e dois vice-presidentes. E é minha intenção candidatar-me. Isso leva-me a 2014 se for eleito no próximo ano.
Não porque eu queira ficar agarrado a isto. Eu não realizo dinheiro. Nunca tive um salário pago pela ISA. Quero dizer, tenho pago a todo o staff – fotógrafos, árbitros, etc… – mas viajo por minha conta. Tenho feito isto sempre, nos últimos 15 anos. E faço isto desde uma altura em que não estava tão confortável [financeiramente] como estou hoje, e fazia-o quando estava verdadeiramente atarefado a gerir uma empresa, que crescia muito depressa.
Por isso, para mim, se o fazia antes, quando não era financeiramente estável e mal tinha tempo livre, porque não o fazer agora também? As pessoas dizem-me: “és maluco? Estás gerir a ISA como se fosses um CEO. Ninguém te está a pagar.” Estou feliz por fazer este trabalho por amor. É óptimo poder devolver, e usar o que se aprendeu, durante todos estes anos, na indústria do Surf."
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"Que papel desempenham Fernando Aguerre e a ISA no lobbying que está a tentar incluir o Surf na lista dos desportos olímpicos?
A ISA está a liderar este movimento. O processo da integração do Surf nos Jogos Olímpicos é muito complicado e duro. É muito intrincado e muito, muito, muito impulsionado pelo dinheiro. Não digo dinheiro no sentido de suborno, mas sim no sentido de que os desportos são avaliados pela potencialidade que têm de aumentar as audiências televisivas, o que a modalidade pode trazer ao COI a nível financeiro. Questiono, seriamente, este processo, porque alguns dos votos necessários para que haja a possibilidade de incluir um novo desporto estão nas mãos dos responsáveis por desportos de topo que actualmente integram os Jogos Olímpicos, o que é um claro conflito de interesses. É um processo que corre o risco de não ser conduzido pelo melhor interesse do COI, mas antes pelo interesse do que é melhor para as federações actualmente incluídas no programa dos Jogos Olímpicos.
Então que impacto pensa que o Surf, como um desporto olímpico, pode ter nas grandes audiências? E, recíprocamente, que impacto teria no Surf esta nomeação como desporto olímpico?
Ok, para mim, a questão não é o porquê de o Surf ser bom para os Jogos Olímpicos, mas se os Jogos Olímpicos são bons para o Surf. Algumas pessoas dizem que incluir o Surf irá dar credibilidade; não creio que a credibilidade seja a questão, mas sim os atletas. Se fores um surfista competitivo, parte da razão pela qual praticas Surf é porque gostas de competir, e gostas de ganhar. Ninguém gosta de competir para perder.
Se gostas de ganhar, que ganhes o melhor evento. E nas ondas certas. O Surf olímpico seria uma coisa realmente porreira, tal como se tornou para o Snowboard. Nesse sentido, penso que é algo bestial para o Surf.
Que caminho pretende a ISA seguir? Fale de uma qualquer nova iniciativa que possam ter em vista?
Vamos continuar a envolver-nos em todos estes eventos do movimento olímpico. Vamos realizar os Jogos Bolivianos e os Jogos de Praia [em 2011, no Equador]. Em Outubro, estarei em Copenhaga para continuar a fazer lobbie e a conhecer pessoas que gostem de Surf, e que queiram ver a modalidade nos Jogos Olímpicos.
Continuaremos a monitorizar a tecnologia de ondas man made, esperando que os avanços tecnológicos permitam a muitos atletas continuar a competir e a tentar ser melhores do que os outros. Estou muito orgulhoso pelo facto de a Billabong, a Fundação Quicksilver e a Reef Redemption apoiarem o Programa de Bolsas Individuais da ISA, que contempla bons surfistas e, ao mesmo tempo, bons alunos. Gostaria ainda de continuar a fundar organizações de Surf em países onde não existem. Neste momento, estamos a trabalhar em três ou quatro países africanos, e noutros três ou quatro asiáticos. A Coreia do Sul acabou de criar a sua primeira federação de Surf, e já fez uma boa competição, patrocinada pelo Presidente da Câmara de Pusan, a segunda maior cidade do país, onde participaram cerca de 200 surfistas de todo o mundo. Imagine se os chineses adoptam o Surf, ou a India, ou mesmo o mundo árabe.
Mais importante, acredito que o Surf é uma excelente ponte construída entre as nações mundiais. Como surfistas, o nosso amor pelo oceano, esperar por um swell, é tudo parte de uma cultura maior – a cultura de praia. Somos embaixadores dessa cultura de praia, mas também somos protectores dos oceanos e das costas. Sou surfista, mas não faço apenas Surf. Trabalho por um Surf mundial melhor, como parte de um mundo melhor para nós e para as crianças. É uma forma espectacular de viver. O Duke [Kahanamoku, nadador e surfista, um dos idealizadores do Surf moderno] mostrou-nos o caminho. Eu apenas sigo o seu percurso, e gozo cada segundo dele."




11 e 12 de Setembro
4ª etapa do Circuito Nacional de Surf Open MASCULINO, Figueira da Foz
11 e 12 de Setembro
5ª etapa do Circuito Nacional de Surf Open FEMININO, Figueira da Foz
25 a 27 de Setembro
5ª etapa do Circuito Nacional Deeply Surf Esperanças, S. Torpes
1 Frederico Morais 2918
pts.
2 João Guedes 2340
pts.
3 Filipe Jervis 2186
pts.
4 João Antunes 2142
pts.
5 Justin Mujica 2095
pts.
1 Tiago Silva 1200
pts.
2 Filipe Campos 1032
pts.
3 Hugo Pinheiro 876
pts.
4 Manuel Centeno 804
pts.
5 António Azevedo 732
pts.
1 EMANUEL EMBAIXADOR 1860
pts.
2 SIMÃO PINTO 1590
pts.
3 JOÃO DINIS 1280
pts.
4 JOÃO GUERREIRO 1110
pts.
4 EDUARDO JOAQUIM 1110
pts.
1 João Brogueira 250
pts.
2 João Ferreira 215
pts.
3 João Nunes Carvalho 183
pts.
4 Manuel Constantino 168
pts.
5 Diogo Gonçalves 153
pts.